sábado, 14 de maio de 2011

Sensual, Miley Cyrus empolga público infantil com repertório que vai de Poison a Nirvana

Show de Miley Cyrus no Rio / Divulgação
RIO - Às 21h30m em ponto, Miley Cyrus subiu ao palco - bem simples, diga-se de passagem - da Arena HSBC, na Barra da Tijuca, na noite desta sexta-feira. Na plateia, uma legião de fãs que pareciam até obedecer a uma ordem: maior de um metro e meio não entra. Em sua maioria infantil, o público de 13 mil pessoas que aguardava a cantora e atriz, conhecida pela série "Hannah Montana" e que se apresentou no Brasil pela primeira vez, provavelmente não está nem aí para as polêmicas em que Miley se envolve de tempos em tempos. Querendo mostrar uma sensualidade por vezes exagerada - provavelmente para reafirmar que cresceu e deixou os tempos de estrelinha da Disney para trás - , a moça acabou surpreendendo boa parte dos pobres pais, arrastados pelas crianças ao show. Sem playback e sem medo de se arriscar nas notas mais altas, além de cantar de verdade, Miley conseguiu a proeza de fazer menores de 12 anos entoarem sucessos de nomes como Poison e Joan Jett - e, como esperado, ainda deu sua versão do clássico "Smells like teen spirit", do Nirvana. Pois é. Miley, quem diria, tem um pé no rock.
De shortinho, cinta-liga estilizada e uma jaqueta de couro vermelha - o primeiro dos seis figurinos da noite, que incluíram ainda uma calça justíssima e um macacão-corpete vermelho com um coração dourado -, a cantora abriu o show com "Liberty walk". "Party in the USA", um de seus hits mais recentes, veio em seguida. Na pista, uma garotinha exibia um cartaz onde "USA" era substituído por "Rio". Mas a versão em português não colou. Miley, aliás, só cumprimentou os fãs após a terceira música, "Kicking and screaming". "Oi, Rio, muito obrigada. Tenho que dizer, vocês são a razão da turnê 'Gypsy Heart' existir", disse a cantora, simpática, que ainda se apresenta em São Paulo neste fim de semana.
Mais gritos. E o medley Joan Jett, que incluiu "I love rock 'n roll", "Cherry bomb" e "Bad reputation". Cantar sobre má reputação pode parecer até uma espécie de piada sobre si mesma, depois de muitas pequenas confusões - como as fotos de seu aniversário de 18 anos, onde aparecia fumando o que depois foi confirmado como sálvia. Mas a criançada não liga para essas coisas mundanas. E canta do início ao fim, com rosas nas mãos, o hit oitentista "Every rose has its thorn", do farofento Poison. Alguns pais acham graça: "Essa era da minha época" , diz um homem, aparentando seus 40 anos, à sua filha.
Com um timbre mais country - seu pai, Billy Ray Cyrus, fez sucesso no gênero - e em tempos de auto tunes, Miley impõe sua voz, que soa bem mais potente ao vivo do que nos álbuns. Na pista, as pequenas fãs se dividiam entre as fases da cantora. As mais menininhas desfilavam de short jeans e camisetinhas. As mais velhas, entre 10 e 14 anos, já ousavam mais no look. Leggings, sainhas curtas, camisas xadrez, botas e sapatos de salto eram facilmente notados. Qual a influência de Miley sobre essas garotas?
- Ainda bem que minha filha não gosta - comemorava a professora Ana Paula Dias, ao lado da sobrinha. - Ela sensualiza demais. As crianças são muito pequenas. Não entendem algumas coisas, mas querem copiar o que veem.
No palco, Miley cumprimenta o público mais uma vez. Reclama do calor, e diz estar preocupada com quem está na fila do gargarejo. "Quero que todo mundo consiga acompanhar o show até o final, sem desmaiar por causa do calor. Vamos nos acalmar. Estou abraçando vocês aqui de cima", recomendou. O apelo funcionou: apenas oito atendimentos mais graves foram registrados no posto médico da Arena - em sua maioria, crianças emocionadas acabaram dando baixa por lá. Depois de mais um sucesso, "Fly on the wall", a cantora desejou "feliz sexta-feira 13" a todos: disse que esse era o dia de mais sorte, lembrou o aniversário da mãe e pediu que o público desse parabéns a ela.
Ela segue animada. "Essa música é para todos os artistas que me inspiraram e que me deram coragem para seguir adiante. Espero que eu possa significar o mesmo para vocês, e que vocês possam ir atrás de seus sonhos", disse Miley, antes de puxar o cover de "Smells like teen spirit" e vestir uma camiseta do Nirvana. O que o falecido Kurt Cobain, líder da banda, acharia disso?
- O show está me surpreendendo - afirmou a advogada Mariana Gonçalves, junto da filha. - Ela canta de verdade, o som tem uma pegada mais rock. Musicalmente, é uma boa influência para as crianças, pode despertar o interesse pelas canções originais. E se minha filha está feliz, isso é o que importa.
Momento mais sensual da noite, o hit recente "Cant be tamed" fez Miley ser levantada por dois dançarinos, vestida com um corpete roxo e com uma bengala, numa manobra um tanto Lady Gaga. Os bailarinos, aliás, destoam completamente do show. Com uma pegada mais rock, mesmo em meio a baladas como "The climb" (dos tempos de "Hannah Montana", a canção foi trilha do filme da personagem), coreografias e figurinos um tanto demodês não combinavam com a postura mais agressiva da moça no palco.
A bandeira do Brasil ficou só no telão, e não nas mãos da cantora, como muitos artistas costumam fazer. O bis, de três músicas, teve "See you again", "My heart beats for love" e "Who owns my heart". Uma hora meia depois, a apresentação chega ao fim.
- Olha, achei o palco meio chocho, meio sem vida - avalia Maria Eduarda Matsumoto, de 11 anos. A menina veio de Búzios, na Região dos Lagos, no Rio, apenas para a apresentação. - Mas o show foi ótimo. A Miley é muito bonita, e cantou muitos sucessos. Valeu a pena - completou, tentando tirar uma foto que fosse com o celular para mostrar às amigas. Coisa que claro, quase todas as meninas (e meninos, que não eram poucos) fizeram.
No fim da noite, até que os pais não saíram tão arrasados assim. E Miley, que ainda parece estar tentando descobrir sua própria identidade como artista, sem a aura de heroína Disney, demonstra que está no caminho certo. Tudo é uma questão de ajustes, mas o mais importante - cantar para valer - a moça já faz. O resto se resolve com o tempo.


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